Lúpulo, o amarguinho da cerveja

Há algumas semanas foi publicado um artigo sobre o malte. Hoje o tema é outro ingrediente importante da cerveja: o lúpulo. Conhecido pelos botânicos como Humulus lupulus, é primo distante da maconha, pois também faz parte da família canabidáceas. É uma trepadeira usada como planta ornamental em regiões frias e cujas flores, por algum motivo, começaram a ser acrescentadas à cerveja no século VIII, na Europa da Idade Média. O nome significa “lobinho” em latim, porque é uma planta agressiva, crescendo muito mais do que aquelas à sua volta e eliminando a concorrência.

Como o lúpulo tem a capacidade de eliminar bactérias, há quem diga que foi introduzido na cerveja como conservante. Um detalhe histórico interessante: lendo obras antigas se percebe que as pessoas pareciam tomar cerveja o tempo todo. Eram todos alcoólatras? Não, a verdade é que, por ter lúpulo, álcool e gás carbônico, a cerveja não é um bom lugar para germes virem se refrescar. A água até há poucas centenas de anos, por outro lado, era um carnaval de bactérias. Por isso, era mais seguro beber cerveja — ou vinho, pelos mesmos motivos.

Cultivar bom lúpulo é tão difícil quanto cultivar boas videiras. Os países que produzem lúpulo para cerveja são Bélgica, Alemanha, República Tcheca, Polônia, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos, Nova Zelândia e China. Assim como as uvas resultam em diferentes tipos de vinho dependendo do lugar onde crescem, o lúpulo de cada região dá características diferentes à cerveja.

Se hoje estamos acostumados com o amarguinho refrescante da cerveja, é por bondade do lúpulo. Se dependesse apenas do malte, a bebida seria enjoativamente doce — o que, francamente, tornaria meio difícil passar a noite inteira no boteco com os amigos e teria, assim, inviabilizado uma boa parte da cultura Ocidental.

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