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Entrevista

Luiz Helena Trajano - Compre um porta-gostosura
Por* João Paulo Freitas


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Em 2005, o Magazine Luiza reformulou sua marca e lançou o slogan “Vem ser feliz”. A intenção foi abandonar a antiga fórmula varejista de dar destaque aos preços e passar a focar os benefícios que cada mercadoria proporciona. Com a mudança, os produtos ganharam novas denominações. A geladeira, por exemplo, passou a ser chamada de “porta-gostosura” e o sofá, de “sossego”.



No ano anterior, a empresa havia criado a Liquidação Fantástica: um dia em janeiro no qual os produtos eram vendidos com até 70% de desconto. Para se ter uma idéia do sucesso da iniciativa, este ano a liquidação foi responsável pela geração de R$ 50 milhões em vendas de produtos para mais de 3 milhões de clientes.



A trajetória do Magazine Luiza começou em novembro de 1957, mas foi em 1992 que o crescimento da rede ganhou impulso, o que foi proporcionado pela criação de uma holding, na qual a sobrinha dos fundadores, Luiza Helena Trajano, passou a ocupar o cargo de superintendente.



Hoje, o Magazine Luiza possui mais de 350 lojas, distribuídas por sete estados. Este ano, a projeção é de que o site gere vendas no total de R$ 350 milhões. No total, a rede projeta um crescimento de 31% para 2007 - um faturamento de R$ 2,8 bilhões - e a inauguração de 37 lojas.



“Temos que crescer. Há muitas cidades em que ainda não estamos presentes”, diz Luiza Helena Trajano, em entrevista exclusiva. Leia a seguir os principais trechos.



VP – A senhora destaca sempre a questão do respeito às pessoas. Qual é o reflexo dessa visão no trabalho dos vendedores do Magazine Luiza?



Luiza Helena Trajano – O varejo no Brasil mudou muito. Antigamente, uma pessoa só se tornava vendedor quando não tinha mais nada para fazer, quando não conseguia outro emprego. Com isso, as empresas não investiam nesse profissional, pois sabiam que ele estava ali só de passagem. Hoje, a situação é diferente. As faculdades, por exemplo, estão valorizando o papel do varejo. O Magazine Luiza trata o vendedor com plano de carreira e dá escola e treinamentos. Tratamos esse profissional do mesmo modo como tratamos uma pessoa do escritório central.



VP – Qual a importância do ponto-de-venda para a empresa?



Luiza Helena – Hoje, o ponto-de-venda é indispensável até para a indústria. Mostrar o produto de uma forma fácil, seja na internet ou na loja, é indispensável. O Magazine Luiza sempre trabalhou bem isso, mas ainda temos muito por desenvolver, já que o ponto-de-venda precisa ser auto-explicativo. A indústria também precisa melhorar nesse sentido. Veja, ninguém lê manuais. Eles não são claros e explicativos, nem as embalagens o são. Pedagogicamente, ainda temos que melhorar muito, tanto a indústria como o varejo. No ponto-de-venda, o que o Magazine Luiza tenta passar é o respeito às pessoas, sejam consumidores ou funcionários, por meio de exemplos, atitudes e experiências memoráveis, como levar a pessoa para fazer um embelezamento ou realizar uma campanha de vacinação dentro da loja. Ou seja, fazemos com que o cliente sinta não só o prazer de comprar, mas se sinta em casa também.



VP – Como a internet se insere nos negócios da rede?



Luiza Helena – O Magazine Luiza começou a ter lojas virtuais em 1991. Eram lojas em pequenas cidades, que vendiam por meio do computador. Então nós temos uma história com esse canal. Hoje você percebe que, mesmo que a pessoa vá à loja física, é importantíssimo ter um bom site, uma boa comunicação com o cliente. Imagine quando a geração de hoje começar a comprar e consumir os bens que vendemos. Os meninos estão todos ligados na era da tecnologia. Hoje, as lojas virtuais e a internet já são responsáveis por 13% das nossas vendas totais.



VP – Qual a principal qualidade que um vendedor deve ter?



Luiza Helena – Gostar de gente e nunca tapear as pessoas. Comecei minha carreira como vendedora. Adoro vender. Nas férias - sou filha única -, gostava muito de dar presente, e minha mãe falava “vá ganhar para poder dar”. Então comecei a vender. Gosto muito de me relacionar com as pessoas. E a venda não deixa de ser uma relação muito direta com o ser humano.

 


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